quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A luta às vezes cansa...

Às vezes a luta é inglória.
Que adianta desejar a missa no rito extraordinário, se a mais próxima está a uns trezentos quilômetros de distância?
Por que suspirar por essa missa e reclamar da missa modernosa? Eu posso ir à igreja rezar, que ainda não sou baleado nem explodido por isso.
Os irmãos lá do Iraque não podem ir, sob risco de morte por explosão, e ainda assim vão com a maior alegria!
De que adianta ficar colocando textos ininteligíveis no blogue, numa verborréia pedante, só para dizer que entende de teologia e que é mais católico que o resto da Igreja, inclusive o papa?
Não adianta também viver no sedevacantismo, à espera de um "super-papa", sentado imponentemente numa sedia gestatória, que acabe com o modernismo numa tacada só!
Tampouco dá para concordar com tudo que o Santo Padre diz, basta ver as palavras dele sobre a "deusa" feita de borracha, obviamente bastante distorcidas pela mídia internacional e anticatólica.
E sobre a Asia Bibi então... A maioria das fontes diz que ela é católica, mas sempre há quem diga "é protestante", e logo a pecha de herege diminui a preocupação por essa cristã estar detida. E se for protestante, qual o problema? Não estou relativizando, mas quantos protestantes têm mais firmeza do que muito católico de fachada?
Prefiro, e escrevo isto com a maior dor no coração, a firmeza e coerência de um Silas Malafaia da vida, à dúvida, incerteza e conduta morna de muito padreco por aí, que sequer crê naquilo que prega!
Basta ver o medão do Mons. Jonas de perder a concessão de televisão da organização dele, após a polêmica homilia do Pe. José Augusto sobre a Dilma do Chefe, e isso porque não foi citada a velha condescendência do Pe. Zezinho com os hereges.
De que adianta também suspirar pela monarquia? Será que os atuais postulantes a imperador do Brasil ou do México, ou rei de Portugal ou da França são confiáveis? Ao ver as monarquias de Holanda (onde tudo é liberado), Inglaterra (tão pródiga em escândalos) e Espanha (onde os vermelhos "pintam e bordam"), não sei se seria válido o retorno ao império.
Ao escrever no título do blogue que estou "ainda na luta", é porque a batalha é dura não tanto pelo cansaço, mas pela irritação com a mediocridade e estreiteza de pensamento de alguns que encontro por aí, seja no mundo real ou no virtual.

2 comentários:

--- disse...

E todos nós sentimos o cansaço dela amigo!

Não é fácil, principalmente quando você dá todo o seu tempo, se dedica e derrepente tudo vai por água abaixo por uma declaração no mínimo dúbia.

Por muito tempo procurei ser Católico tradicionalista, enquanto outros queriam ser neocons e etc. Hoje quero ser apenas Católico, sem adjetivo, sem partidarismo, sem prepotência, sem achar que tudo que vem do vaticano é ex-cathedra.

A luta cansa, mas o combate é necessário!

Jefferson

FireHead disse...

Bem, há coisas que concordo e outras em que discordo. A luta continua e continuará sempre. Eu também gostaria que aqui na minha cidade houvesse missas tridentinas e existisse assim um núcleo da Opus Dei ou da Fraternidade S. Pio X. Ao invés, existem carismáticos e a comunidade de comunhão e libertação do Pe. Giussani (onde tenho amigos e que eu próprio participei durante algum tempo). Quanto à modernidade da missa, eu não me pronuncio porque ela é igualmente válida como uma missa das antigas. A missa que eu costumo assistir conta com a presença do grupo de escuteiros que cantam muito. Canções bonitas, diga-se de passagem... e que acabam, de certa maneira, de dar algum ar de juventude dentro duma igreja que se enche quase por completo de gente de idade. São os sinais dos tempos.
Concordo em relação ao que escreveste acerca dos nossos irmãos na Fé nos países como o Iraque. Apesar de enfrentarem constantemente a morte, eles têm orgulho na sua Fé e amam verdadeiramente a Cristo e a Sua Igreja. Podem não ser católicos do rito latino como nós, mas também são nossos irmãos... muitos deles são católicos de ritos orientais como o siríaco, o arménio ou o maronita - comunidades cristãs bastante antigas - e estão igualmente em plena comunhão com o Papa. Aquela gente dá-nos autênticas lições no que diz respeito à Fé. Aqui na Europa, nós católicos damos a nossa Fé e a prática dela como garantidas. Muitos dizem-se católicos mas não praticam a religião nem tão pouco têm posições católicas. São católicos para as estatísticas e só porque herdaram isso das suas famílias, mas se formos realmente a avaliá-los, eles de católicos nada têm de verdade. E são o grosso da população dita católica da Europa.
Lembro-me uma vez de ter tido uma conversa com um amigo acerca disso. Perguntei-lhe se valia a pena lutarmos e acreditarmos num mundo cada vez mais terrível e anticatólico. Só me lembro dele me ter respondido assim: "fazemos a diferença".
As profecias foram feitas para serem cumpridas. E, ao que podemos constatar, estão a sê-lo. Em Fátima a Virgem Santíssima profetizou a vitória da Igreja Católica no final. E eu pergunto, sem querer duvidar o que quer que seja, como será isso possível...
Permaneçamos fiéis na Fé, perserveremos e mantenhamos vigilantes. Enfim, façamos a diferença.