quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Amor e subversão"

Ao contrário de muitos românticos que acham que a luta armada (da qual a “noça líder” fez parte) quis em algum momento derrotar os militares e restabelecer a democracia depois da “Quartelada” de 1964, ela (a subversão) queria mesmo era uma outra ditadura, só que em nome do “povo”, como podemos ver nas palavras insuspeitas do jornalista Elio Gaspari, em seu livro A Ditadura Escancarada:
A luta armada fracassou porque o objetivo final das organizações que a promoveram era transformar o Brasil numa ditadura, talvez socialista, certamente revolucionária. Seu projeto não passava pelo restabelecimento das liberdades individuais. Como informou o PCBR: “Ao lutarmos contra a ditadura devemos colocar como objetivo a conquista de um Governo Popular Revolucionário e não a chamada 'redemocratização'”. Documentos de dez organizações armadas (…) mostram que quatro propunham a substituição da ditadura militar por um “governo popular revolucionário” (PC do B, Colina, PCBR e ALN). Outras quatro (Ala Vermelha, PCR, VAR e Polop) usavam sinônimos ou demarcavam etapas para chegar àquilo que, em última instância, seria uma ditadura da vanguarda revolucionária. Variavam nas proposições intermediárias, mas, no final, de seu projeto resultaria num “Cubão”.

A telenovela Amor e Revolução, do canal do Seu Abravanel, começou com um negócio de idealizar a subversão, colocando os militares como cruéis torturadores e os esquerdistas como vítimas da intolerância. Botava muita política nos diálogos, mas como a audiência anda muito baixa, resolveu mudar o enfoque da história, passando do engajamento ao humor. Só que nem com beijo lésbico a audiência subiu, o que causou decepção ao homem do Baú.
Uma coisa é certa: caso a subversão tivesse vencido os “milicos”, com toda certeza teria acontecido com os católicos do Brasil o mesmo que ocorreu aos católicos da Espanha durante a Guerra Civil (1936-1939).

Fonte bibliográfica
:

GASPARI, Elio. A Ditadura Escancarada. Companhia das Letras, São Paulo, 2002.

Nenhum comentário: