quarta-feira, 17 de junho de 2009

Foi-se o tempo... - parte 1

Foi-se o tempo...
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Adolescência: fase mais complicada essa, cheia de vícios e de questionamentos.
Adolescentes são a mesma coisa em qualquer tempo.
Só que os desta geração (de 2000, 2001 para cá) me parecem um tanto perdidos:
- Perdidos na falta de objetivos;
- Perdidos na falta de fibra moral;
- Perdidos na falta de amor-próprio;
- Perdidos na falta de Deus.
Sabe por que digo isso?
Porque os jovens que vão à escola atualmente, por exemplo, dizem-se desestimulados ao extremo, só vão por ir, tão somente para conseguir o certificado de conclusão.
A única motivação que eles têm nas aulas é ouvir o MP3, o sonzinho do celular ou o tal do iPod.
Eu não serei hipócrita de dizer que sempre me concentrava nas aulas, muito pelo contrário, às vezes levava comigo o meu companheiro de todas as noites, meu radinho Dunga II da Motoradio (que acabou roubado num assalto), só para ouvir os jogos do Palmeiras. Era uma época onde ainda não tinha tanto aparelho xing-ling por aí.

A diferença básica entre os de minha geração (década de 1990) e os meus alunos é esta: pelo menos almejávamos alguma coisa na vida, ainda que nunca tenhamos realizado.
Os jovens de hoje reclamam que não se sentem motivados; os de ontem tinham algum incentivo, nem que fosse para evitar, no mínimo, a bronca dos pais se repetissem de ano.
E os pais de agora? Muitos preferem jogar a responsabilidade de educar os filhos nas mãos da escola. São uns omissos que ainda chorarão um dia.
Os vícios de antes (e isso, no máximo, há quinze, dezesseis anos) eram os mesmos de agora, só que mais acobertados. Hoje são escancarados e exibidos demais, como se fossem troféus ou mesmo qualidades a serem elogiadas.
Que futuro nos espera?
Que futuro nos espera!
Nunca fui um otimista radical, agora é que sou um realista convicto!
A ver por muitos sensuais, vazios, moles e frouxos alunos que tenho, me dá uma tristeza de dar nó na garganta.
Para ser sincero, só poucos têm alguma coisa na cabeça que não seja um fone de ouvido ou um bonezinho de marca, ainda mais aqui, numa cidadezinha praiana de costumes permissivos.
Eis uma praga do modernismo cultural: tanto faz como tanto fez, desde que papai e mamãe sustentem o(a) vagabundo(a), beleza!
Se ficar, ficou! Se rolar, rolou!
Se menina não fazer “aquilo” vai ficar para titia.
Se menino não “passar o rodo” na mulherada, é um boiola.
Onde está algum Domingos Sávio? Uma Gemma Galgani? Um Tarcísio? Uma Teresa de Lisieux?
Ou mesmo um Iqbal Masih?
Até os jovens do Hamas, Hezbollah ou da Al-Qaeda esperam realizar alguma coisa, nem que o mundo se exploda!
Valei-nos Deus!

7 comentários:

Ana Maria Nunes disse...

2000 mil pra cá? vc foi generoso!!!

tem uma leva ai de uns 20 e poucos anos, completamente vazia de personalidade, sem firmeza alguma, até quando querem se dizer firmes!

Evandro Monteiro disse...

Ana, existia gente vazia já há 20 anos? Claro que sim.
Só que é o seguinte, não era tão comum assim.
Eu me lembro de uma conhecida, por exemplo, que foi mãe solteira com 15 ou 16 anos, em 1989. Foi aquela coisona toda na vila. Se fosse agora em 2009, seria normal.
Depois do novo milênio o negócio degringolou, ficou mais solto, se parece com cavalo sem rédea que anda em disparada.

Ana Maria Nunes disse...

N disse há 20 anos, falei de gente hoje com 20 e poucos anos!

Sforza disse...

mas sabem, me parece ( e isso sei por experiência propria) que não ter firmeza,faz parte do "glamour" desta geração, do qual faço parte infelizmente.

muito legal este post, e o blog idem!

Evandro Monteiro disse...

Ana: ah tá, Ana, beleza, agora eu entendi...

Sforza: seja bem-vinda ao blogue, espero que, concordando ou discordando, você venha sempre.

Hugo F. disse...

Muito bom...
Pura realidade...

Evandro Monteiro disse...

Hugo F.

Que bom que desta vez acabamos concordando...