sábado, 25 de julho de 2009

Abaixo o velho!

No mundo moderno, tudo o que é “velho” e “tradicional” é considerado um estorvo, algo a ser evitado ou mesmo descartado. Com o advento do modernismo na Igreja, coroado pelo Vaticano II, esse pensamento mesquinho passou a reinar em todos os âmbitos eclesiásticos.
Vejamos, por exemplo, o trecho de um texto que faz parte da biografia de um dos maiores nomes da CNBB, D. Hélder Câmara:

Para Dom Hélder, viver os dias de Concílio Ecumênico foi uma responsabilidade grave... O Concílio Vaticano II foi um Concílio diferente. [Isso é verdade, foi um concílio estranho às tradições da Igreja!] Ele deveria reformar a Igreja. [Lutero também quis reformar a Igreja e deu no que deu...] Deveria renová-la, reformulá-la, facilitando a união das famílias cristãs e atraindo os "homens de boa vontade". [Se a Igreja foi fundada por Cristo, e se Ele é a garantia dela, por que reformá-la? E outra: os tais “homens de boa vontade” seriam os maçons?] E, para alcançar esses objetivos, primeiro seria necessário a conversão de cada um, procurando alcançá-la com seriedade. [Então a Igreja ficou de São Lino até Pio XII sem querer converter as pessoas com seriedade? Só foi a partir do “Bom Velhinho” – que não é o Papai Noel, mas João XXIII – que se voltou a buscar conversões?] Seria um "exercício de santidade". [Seria a santidade através do marxismo?] Em dois mil anos de história da Igreja, apenas 21 concílios tinham sido realizados. O último terminara em 1870 e nele tinha sido reafirmada a doutrina da infalibilidade do Papa. Mas o mundo se modernizara. Invenções aceleraram o entendimento entre os homens de todo o mundo... [Discordo! Muito pelo contrário, os homens acabaram se isolando.] E a Igreja continuava parada, no século XIX... [Como assim “parada”? Ela é uma instituição, não um meio de transporte!] Agora, um Papa avançado em anos tinha a coragem de retomar o caminho há tanto abandonado. [Deveriam dizer então, quem foi o papa que cometeu o gravíssimo pecado de abandonar o “caminho”. Aliás, que raio de “caminho” é esse?] E faz isso no tempo da corrida espacial, da guerra fria, num mundo dividido entre o poder nuclear e o poder econômico de duas superpotências: Estados Unidos e União Soviética. Dom Hélder preparou-se para o Concílio Vaticano II. (...) Por horas e horas trabalhou sozinho, ou com padres mais próximos que convidava, para debaterem aquilo que seriam os temas conciliares. Somente oito brasileiros foram nomeados para a comissão preparatória do Concílio. [Graças a Deus!!!!! A julgar pelos clérigos tupiniquins, se muitos deles fossem em número considerável, os estragos do Vaticano II seriam bem maiores!] Dom Hélder estava entre eles... (...) Esses Bispos chegaram a Roma em 07 de outubro de 1962. De imediato, Dom Hélder começa a agir nos "bastidores", conseguindo mudar o rumo que se estava traçando, com sua coragem e sua visão de futuro.
D. Hélder deu muitas mostras de humildade, como evitar certos “luxos” em favor dos pobres, passando a viver “sem ouro nem prata”. Mas...
Será que um bispo, quando usa uma cruz peitoral feita de ouro, estará, porventura, ofendendo os pobres?
Será que um bispo - inclua-se aqui o Santo Padre - estará dando sinal de arrogância quando vive num palácio? E isso porque o papa vive somente num modesto apartamento.
Será que uma igreja feita com altares ou paredes de ouro estará dando mau exemplo de humildade cristã?
Será que uma Igreja que reafirma a identidade dela, em meio à grande esculhambação moral e espiritual que assola o mundo, é retrógrada e “parada”?
Será que uma Igreja que insiste em querer trazer as pessoas a Cristo Jesus de uma única forma estará buscando a conversão da sociedade sem seriedade?
Essa falsa humildade não seria uma grande demagogia de quem não entende patavina nenhuma de eclesiologia?
Essa falsa humildade não esconderia, na verdade, uma baita inveja de uma instituição que já enfrentou tudo e todos? (Como os césares romanos, as investidas das heresias, as invasões dos bárbaros, as agressões dos maometanos, a tempestade de Lutero e muito mais, em quase dois mil anos de história.)
Se muitos dizem que a Igreja é tida por retrógrada, então vamos descartá-la? Vamos jogá-la fora?
A Igreja é como a mãe, que diz não ao filho birrento, não por maldade, mas porque o ama.
Quanto a D. Hélder, que Deus tenha piedade dele e o tenha, só isso.

2 comentários:

Hugo F. disse...

Bom diaa...
Não me sinto seguro, com meu raso conhecimento, mesmo vendo tantas críticas, ao Concílio Vaticano II e ao Papa João XXIII, em aceitar esses argumentos.
João XXIII, qdo ele abriu o concilio, ele disse, q os primeiros q precisavam se converter eram eles próprios, os Bispos reunidos, muita coragem da parte dele.
E se esse Concílio, fosse tão ruim, como muitas pessoas falam, não teria votação tão expressiva, a favor, por exemplo, a Constituição Dogmatica, "Sacrosanctum Concilium", sobre a Sagrada Liturgia, q eu axo q é mais criticada, de mais de 1.200 Bispos votantes, apenas 4 Bispos votaram contra, um deles, Dom Lefebvre, da FSSPX, um outro bispo de Campos no Rio, se não me engano e mais dois, será que é tão ruim, qto falam, q umas das principais mudanças, foi para as Missas em língua local e não mais no Latim.
Prefiro confiar na Infabilidade Papal e dos Bispos, reunidos em Concilio.
Acato tudo com muito amor, os documentos da Igreja e da CNBB, mesmo sem conhecer como era a Igreja antes do concilio, até mesmo de como os fiéis agiam, q tenho muita cuirosidade, aliás, não conheço nem a de hoje "direito", tenho muito o q estudar ainda.
Um grande e fraterno abraço.
Fica com Deus.

Evandro Monteiro disse...

Hugo, essa questão do concílio é complicadíssima, eu também tenho rasos conhecimentos sobre ele, mas até um ignorante como eu sabe alguns dos efeitos que ele teve na Igreja.
Que ele foi convocado legitimamente isso é fato, só que o que anda pegando é essa "infalibilidade", esse estado de "super concílio" que o Vaticano II tem. Digo "super concílio" baseando-me somente neste texto que acabei exibindo, a respeito de D. Hélder.
Ele abriu demais, não precisava tanto.
E mais: concordo com João XXIII quando ele dizia que a conversão deve partir de nós mesmos, porém o defeito dele é que ele era otimista demais da conta. Quis ser o contrário de Pio XII, por exemplo, que cuidou mais da doutrina.
Repito: é complicado, mas ainda assim confio na Igreja.
Fica com Deus e Nossa Senhora.