segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Crisma, o bispo e os pombos


Ontem aqui na paróquia teve Crisma. E como sempre, a igreja ficou num alvoroço só, também pudera, o reverendíssimo senhor bispo diocesano estava presente! D. Fernando Saburido, OSB.
O nosso pároco, bem atento às necessidades da ocasião, em tudo trabalhou para que nada desse errado na cerimônia.
Como seriam crismadas mais de seiscentas pessoas, na sua maioria jovens, a celebração do sacramento foi dividida em duas missas, uma à tarde e a outra à noite.
A minha turma de crismandos estava presente. Todos na faixa dos quinze anos.
Pois é, sempre aprendi que o sacramento da Crisma é a confirmação da nossa fé e dos votos do Batismo, é a nossa maturidade na fé, e também que ele nos torna “soldados de Cristo”, no dizer do grande papa São Pio X.
Entretanto, devo confessar que me deu uma tristeza muito grande ao ver aqueles jovens e os respectivos padrinhos.
Tristeza porque sei que a maioria deles só estava lá por mera tradição, mero acontecimento social.
Tristeza também porque a maioria deles estará jogando no lixo todas as graças adquiridas ao receber tão grandioso sacramento.
Tristeza maior também ao ver a qualidade de tais padrinhos e madrinhas, que de “pais espirituais” não terão nada, só se for “pais na cachaça” ou outras cositas más.
Menininhas no aflorar da puberdade, com os hormônios à flor da pele, garotões que mais pareciam flibusteiros, “piratas do Caribe” (ou mesmo os piratas que por aqui andavam, há quatrocentos, trezentos anos), com as orelhas orgulhosamente furadas, para mostrar que estão em sintonia com a última moda.
Sem querer ser pessimista, mas já o sendo, creio que se somente 1% daquela rapaziada toda continuar na vida paroquial sendo testemunha de Cristo e da Igreja, estará ótimo!
Para muitos, o sacramento da Crisma é como se fosse uma espécie de “formatura”: depois que recebeu o “diploma”, nunca mais porão os pés na “escola”.
É por isso que minha irmã se lembrou de umas palavras do nosso antigo bispo em São Paulo.
Na minha antiga paróquia, há alguns anos, tínhamos um grande problema: havia pombos sobre o telhado, e eles incomodavam com o barulho e a sujeira. O pároco de lá tentou algumas alternativas e às vezes dava certo, porém eles sempre voltavam.
Foi aí que o então bispo (hoje emérito) da diocese de São Miguel Paulista, D. Fernando Legal, SDB, foi até a paróquia para ministrar a Crisma. Já prevendo que muitos daqueles jovens dali a pouco não entrariam mais numa igreja, ele soltou essa:
“Por que esses pombos não deveriam ser crismados? Pelo menos assim eles nunca mais voltariam pra igreja!”.
O pessoal deu risada é claro, o bispo estava só brincando, porém foi justamente naquela brincadeira que foi dita uma grande verdade: assim como os pombos viviam em cima do telhado da igreja, com seu barulho e sujeira, muitos jovens vivem da mesma maneira, fazendo muito barulho no coração, sem tempo para Deus e seus mandamentos, estando na sujeira do pecado, das drogas e a prostituição.

Juventude essa que é capaz de fazer santos como Luzia (a padroeira daqui), Pancrácio, Domingos Sávio e Maria Goretti se revirarem no túmulo.
E assim caminha a humanidade.
Até quando esta teimosia dos crismados em viver longe de Deus?
Até quando eles viverão como “baratas no esgoto”, como diz o Pe. Divino Lopes, de Goiás?
Até quando viverão como se fossem imortais, vivendo la vida loca, sem responsabilidade, chegando até à morte?

Valei-nos Deus!

Valha-nos todos os santos!

São Pio X, rogai por nós!

Que o Senhor tenha piedade de todos nós, principalmente dos mais jovens, essa geração frouxa e viciada, que não move nem um dedo para ajudar os pais em casa, mas que lhe passa muitas descomposturas!

*O bispo da foto é D. Fernando Legal, SDB, bispo emérito de São Miguel Paulista, São Paulo - SP.

3 comentários:

Ana Maria disse...

Nossa, estou chocada! Achei terrível o que o bispo disse, ele simplesmente acabou com o sacramento, tudo bem n é dogma, mas n precisa detonar dessa forma.
Ridícula a atitude dele!

Evandro disse...

Não Ana, não foi uma "detonação" do bispo não!
Foi só uma comparação entre os que se crismavam e não voltavam mais, com os pombos.
Se me permite fazer uma defesa do D. Fernando, foi ele que praticamente acabou com a farra da TL em São Miguel; e mesmo com o jeitão meio 'aristocrático' dele, foi a firmeza com que ele exerceu o comando da diocese que o acabou aproximando dos jovens.
Entre os quais este que vos escreve.
E missa de Crisma com ele não tinha tanto exagero litúrgico, apesar de ter palmas, mãozinhas pro alto, etc.
Na hora todos entendemos o que ele queria dizer.

Ana Maria disse...

Caríssimo, entendi, n aceitei, é diferente.
Pode ter sido para alguns uma boa comparação, mas para mim n foi!